a Gabi
A menina aperta, com o dedo indicador inseguro, a campainha, que apita estridente e pode ser ouvida a vários metros na rua silenciosa. Antes que alguém atenda a porta, um pequeno vira-lata duns três anos corre para o portão como se soubesse que a visita era pra ele e bafora quente mostrando os dentes e a língua enquanto tenta balançar o toco do rabo cortado. Gabriela sorri e uma senhora aparece na janela com alguma pressa pra voltar; “dá um instantinho que eu não posso parar de mexer senão o doce empelota tudo”. Ela mal ouve aquilo. Estava ali pra ver o cachorrinho.
Depois de ouvir a história, dona Zuleika “com k, viu querida” convida-a para entrar e provar um pedaço do doce de banana ainda quente.
Entre uma mordida e outra na deliciosa especialidade da anfitriã, Gabriela conta sobre o destino fatal de Kika, a mãe do Prego, a quem viera visitar. Estava passeando ali por Águas da Prata porque era mais perto da faculdade que a distante Salvador, pra onde a família se mudara logo depois de dar a cachorrinho, único filhote da Kika, à desconhecida menina que pediu e disse que morava naquele endereço, e poderia reencontrar alguns velhos amigos do colégio naquele seu primeiro feriado prolongado longe dos pais.
Escrito por cesarito às 19h43
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