Ele não compreendia a mudança. Naquela noite ela chegou e o beijou como não fazia desde a primeira & frustrada gravidez. Treparam e dormiram abraçados. Já se passavam seis anos.
Não foi difícil perceber que a barriga dela crescia, assim como o sorriso. Era a mais que evidente prova de traição. Mas ele fora bem recompensado: ela tornara-se a mais dedicada dona de casa & as trepadas passaram a ser constantes.
Até que, depois do ultra-som, o médico disse que não existia bebê. Fora tudo criação da cabeça dela e a barriga crescia por vontade dela. Ela sequer ouviu o obstetra & marcou a cesariana. O médico ligou pra ele & ele chorou. Ela o consolou e treparam.
Sem saber como dizer a ela, ele teve que dormir os últimos meses no sofá.
Apesar da insistência do médico, foi feita a cesariana – parto normal dói demais – Quando ele e o obstetra foram dizer a ela que não havia filho, ela chorou. Já era o segundo que lhe roubavam naquele hospital. Da próxima vez mudaria de maternidade.

Escrito por cesarito às 13h23
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