coelhinhos chapados


solavancos & balanços de pedra

sob areias superconcentradas

tingidas em vermelho, azul & amarelo

num quadrado de concreto cinza

corroído pela acidez da chuva

que inconstante & insistente

cai sobre as crianças

de concreto que brincam aos solavancos

nos balanços das bossas

 



Escrito por cesarito às 01h45
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Ele não compreendia a mudança. Naquela noite ela chegou e o beijou como não fazia desde a primeira & frustrada gravidez. Treparam e dormiram abraçados. Já se passavam seis anos.

Não foi difícil perceber que a barriga dela crescia, assim como o sorriso. Era a mais que evidente prova de traição. Mas ele fora bem recompensado: ela tornara-se a mais dedicada dona de casa & as trepadas passaram a ser constantes.

Até que, depois do ultra-som, o médico disse que não existia bebê. Fora tudo criação da cabeça dela e a barriga crescia por vontade dela. Ela sequer ouviu o obstetra & marcou a cesariana. O médico ligou pra ele & ele chorou. Ela o consolou e treparam.

Sem saber como dizer a ela, ele teve que dormir os últimos meses no sofá.

Apesar da insistência do médico, foi feita a cesariana – parto normal dói demais – Quando ele e o obstetra foram dizer a ela que não havia filho, ela chorou. Já era o segundo que lhe roubavam naquele hospital. Da próxima vez mudaria de maternidade.   

 



Escrito por cesarito às 13h23
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Escrito por cesarito às 19h37
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Caiu suavemente. Jogara-se do décimo andar. A multidão parou. Ninguém queria sujar os pés passando sobre os miolos.



Escrito por cesarito às 20h42
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Olhava atentamente para a lua procurando por um rosto conhecido. Talvez um sorriso fraterno o fizesse esquecer do calor de janeiro & dos mosquitos que ainda há pouco o importunavam. As pessoas à volta ele sequer notava, uma vez que o zumbido delas se confundia ao dos mosquitos e a procura na lua era muito mais interessante que qualquer passante num fim de mundo como Paliçadas, de onde todas as pessoas que tinham algo relevante a contar (ou mostrar) tinham se mandado há muito tempo.

Ele chegou a esboçar um sorriso quando finalmente escureceu & a lua ficou plena no céu.



Escrito por cesarito às 22h48
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