coelhinhos chapados


Resolvi brincar com cinema

Cheguei à conclusão de que o mundo é cheio de pessoas completamente loucas. O destaque é pra COMPLETAMENTE, já que nas últimas semanas tenho trombado com uns malucos inacreditáveis, daqueles que nos fazem crer que tudo é perfeitamente possível, até as coisas mais inimagináveis.

            Depois de entrevistar um hippie-doidão que tem quatro perfis no orkut e se lembra de coisas incríveis & detalhadamente, dirigi o sujeito mais louco do mundo (e eu tô falando muito sério) nuns curtas que filmamos por aqui. Experiência interessante, instrutiva & estressante. O maluco ficava dando as idéias mais loucas possíveis (acho que ele até tinha idéias boas, mas as descartava procurando pelas malucas) e contando as histórias sobre ser discípulo d’O Grande Dragão Branco ou reencarnação do irmão de Elvis Presley. Aliás, o maluco faz shows de Elvis Cover e até que canta bem, mas é o pior ator do mundo e nos garantiu muitas (muitas mesmo) risadas e creio que continuará garantindo por muito tempo ainda, já que toda vez que virmos os filmes vamos lembrar de tudo aquilo e das risadas e horas passadas na porra do laboratório de edição (onde estou nesse momento esperando a porra de um dos vídeos renderizar – e eu nem sei o que isso quer dizer)...

            Além do Elvis, tínhamos uma menina bem maluquinha também que o cara arrumou pra contracenar com ele. Ela deu um pouco menos de trabalho (pelo menos ela não fica ligando pra gente pra pedir pra incluir músicas dela nas trilhas & eu acho que ela não xavecou a moça da Conveniência dizendo que era atriz), mas está também muito longe de ser normal.

            Bem, o laboratório vai fechar e preciso ir pralgum lugar fazer mais trabalho...



Escrito por cesar às 22h41
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Queria escrever uma crônica agora

Queria poder voar como algum Superman terráqueo e desantenado, desligado das mazelas todas e super concentrado em minha super superioridade sem sequer me molhar na chuva ou me incomodar com nada. Queria ter tempo, espaço e capacidade pra escrever coisas úteis quando necessário e parar com essa coisa de crônica mais literária que jornalística. Mais onírica que factual.

            Mas é inerente ao cronista – ao menos ao cronista menos factual – essa alienação pra um mundo menos denso e mais divertido. Talvez até mais caótico e belo que esse de asfalto, política e assuntos sérios. Às vezes me pego sonhando e criando um mundo nos meus textos. Queria viver sempre num filme ou num livro ou em qualquer lugar onde um criador pode definir os rumos da história sem ser levado por ela. Onde o autoral possa – e deva – pesar mais que o factual. E sem ser clichê nem depender de aprovação.

 

            Isso tudo por conta d’Os Infiltrados. Baseando-se numa história chinesa, Martin Scorcese vê a máfia de forma belíssima (mas nem tão inédita assim) e exprime a violência de maneira tão escancarada quanto os telejornais do mundo de concreto. Vi o filme há vários dias e ainda estou eufórico com ele. Acho que ele ainda anda afetando minhas decisões e desafiando minhas percepções. As atuações de Jack Nicholson sempre desafiam a realidade. Como é que um homem pode ser vários com tanta naturalidade? Só o mundo irreal permite isso e todas as outras coisas lindas e fantásticas que povoam a ficção.

            O cinema e a literatura, assim como a imaginação, encurtam as distâncias e redefinem a realidade pra algo mais agradável. A crônica enquanto literatura deve dialogar com a ficção. E me pego numa metacrônica quase aficcional, e talvez até impublicável. Quem quer saber como funciona uma crônica? Creio que nem aos cronistas isto interessa. Mas queria muito escrever uma crônica agora.

            É, caminhar na chuva em dias tensos pode causar alguns danos ao texto. Alguém deveria advertir isso nas propagandas de TV. Agora está advertido para os leitores. A não ser que se seja aquele Superman que queria tanto ser.



Escrito por cesar às 21h47
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Qualquer coisa é qualquer coisa, isto é fato. Ou vais dizer que não?

Qualquer coisa é qualquer coisa, isto é fato. Ou vais dizer que não?

            E não é que o finalzinho do ano pode salvar todos os fiascos cinematográficos que se desarollaram (frescurinha, do español desarollo – desenvolvimento) até aqui. Os Infiltrados é um fuckin’ filme do caralho e do tipo “superprodução pra ganhar oscar”. Tem Jack God Nicholson quebrando tudo, como de costume. Tem Leonardo di Caprio mandando muito bem. Ele é muito mais que uma bixa bonitinha, status-definição que o menino ganhou depois do horroroso e pra menininhas Titanic. Tem Matt Damon em outro papel pesado de coadjuvante. Ele é sempre um ótimo coadjuvante em bons filmes. Os infiltrados é violento & ainda tem uma trilha sonora do caralho e onipresente.

            Além dele, temos ainda o tal Volver, novo Almodóvar que ainda não vi porque tô duro, mas tô louco pra. Talvez ainda tenhamos o esperado Inland Empire, o novo de David Lynch e que tô esperando ansiosamente, já que há meses tenho respirado o cinema do cara. Ah, e tem o tal DVD-split do Tarantino com o Robert Rodriguez que não tenho muitas informações sobre mas que certamente será digníssimo de nota.



Escrito por cesar às 18h19
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Sobre o fato de nunca ter ficção aqui

Às vezes tenho vontade de escrever qualquer merda por aqui só pra não ficar muito tempo sem postar nada... Agora é um desses momentos... Não acho legal publicar coisas que tenho planos de usar, já que aí a parada perde o ineditismo. Ainda que ninguém tenha visto, se tá publicado em algum lugar já não é mais inédito... Por isso meus contos e projetos literários mais sérios (não que sejam sérios mesmo, mas são coisas que dão mais trabalho de releituras, revisões & quaisquer outros re que sejam possíveis) são deixados de fora daqui por enquanto. Ao contrário do que possa parecer, gosto muito mais de ficção que de não-ficção. Tá, é verdade que sou apaixonado pelos temas pop que abordo normalmente, mas gosto mesmo, tanto de ler quanto de escrever, é de ficção.

Explicado o motivo da ausência da minha ficção daqui, pretendo começar a publicá-la nas férias. Espero ter tempo pra terminar e revisar os textos. Aí publico tudo.

 

Eu queria morar em Beverly Hills, numa mansão de um milhão e quinhentos mil. Só uma citação sem propósito, desnecessária mesmo, duma música maneira do Wander Wildner. 



Escrito por cesar às 17h28
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o dia em que encontrei um hippie "velho"

Trabalhos escolares sempre foram um dos maiores tormentos em minha vida. Quem me conhece há tempos sabe muito bem disso e talvez até compreenda quanto toda essa porra me incomoda... O surpreendente é que tive que fazer uma entrevista com um tiozinho pra uma matéria da faculdade e não esperava nada dela até encontrar o tiozinho ideal. Sabe aquela história de "os hippies não envelhecem"? É tudo balela.

Passei uma tarde conversando informalmente com o cara. Se chamava Ceslsão e tinha muita coisa pra contar. Tomei algumas cervejas & ele pediu água talvez por isso a longevidade). Falamos sobre muita coisa. Especialmente sobre Ditadura e como era ser hippie naquele contexto. Temos a mesmam teoria maluca-conspiratória sobre a entrada subsidiada pelo sistema da cocaína no Brasil nos anos 70. Concordávamos sobre muita coisa. Discordamos sobre Deus. Mas esse é sempre um ponto de discórdia...  



Escrito por cesar às 19h04
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Um mergulho em Trainpotting

Passar o feriado prolongado em Bauru é certeza de dias de intensidade. Quando o feriado é na quinta-feira e a galera já começa a vazar na quarta, não há dúvidas de que o resto que sobrou vai passar dias a fio chapados e falando sobre tudo, inclusive sobre os amigos que foram pra casa – um lugar certamente mais seguro e aprazível que Bauru em dias de medo & delírio.

            E assistir a Trainspotting em dias de medo & delírio é quase um crime contra a própria sanidade. Mas, sabe que adorei.

 

            Foi meio que de repente & estava num mundo dinâmico. Tudo muito rápido e sem explicação. Era recuperar-se de um pico com outro. Era olhar pro amigo do lado e pensar em como se pode ser normal num mundo desses? Era um mundo de loucuras, chapações & violência. Era um mundo onde se desenvolveu um dos melhores pop-movies que já vi. Impactante, já que crítico de cinema adora definir filmes em uma única palavra-símbolo. Trainspotting nos faz mergulhar neste universo freak e sonhar com quão maluco ele é. Esse mergulho, sem volta em alguns momentos, nos obriga a respirar tão mansamente pra não acabar com todo o ar antes de voltar à superfície pra dar mais um fôlego, & esse respiro cadenciado é tão diferente daquele respirar frenético que a situação nos exige, que temos a nítida impressão de que vamos nos afogar em nosso próprio & exíguo ar. Talvez nos afoguemos de fato, mas sem perceber.

            A atuação de Ewan McGregor é soberba. Ele de fato parece chapado em todos os momentos do filme, dando ares de realidade pra toda aquela maluquice. A fotografia é linda e tecnicamente perfeita. Há até certo exagero nas cores, o que mantém certa coerência com a estética doidona que é levada a cabo nele. Os enquadramentos de pequenos closes em pequenas salas ou em mesas passam a sensação plena de quão limitado é o mundo dos personagens. Tudo isso sem parecer piegas ou sem fazer apologias tipo “drogas abrem sua mente”.

 

            Mas até os feriados mais intensos chegam ao fim. Assisti duas vezes ao Trainspotting além de ter visto milhões de clipes desde Beatles até Flaming Lips & vários episódios da quinta temporada d’Os Simpsons. Já éramos poucos sobreviventes e ainda abandonados por alguns outros, terminamos o fim de semana com surpresas além do esperado e com mais um filme excepcional pra gente viajar sobre.



Escrito por cesar às 16h25
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Temos um novo-velho presidente, temos praticamente um campeão brasileiro de futebol, temos novamemte meu querido timão livre da ameaça de rebaixamento. Mais legal que tudo isso, temos a Rolling Stone no Brasil e temos o novíssimo http://taxivirtual.blogspot.com, nossa (Oasis, Pimpão & Me) nova empreitada pra tentar escrever sobre o mundo Pop. Tá tudo só começando, mas assim que a gente, mais nossa legião de colaboradores, começar a publicar constantemente será uma fonte interessante para consultas da área. E já valeu  ano!     

Escrito por cesar às 16h32
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