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Non-fiction é tão bizarra
Em noite inspiradíssima o melhor jogador dos últimos quinze anos dá outro espetáculo daqueles que nos acostumou. Cadenciou o jogo, distribuiu dribles e passes precisos e, em sua última exibição, marcou na prorrogação o mais belo gol de sua gloriosa carreira, culminando na conquista de sua segunda Copa do Mundo.
Poderia ser esta a descrição da despedida de Zidane, mas a realidade nunca é tão bela quanto a ficção. Zidane liderava sua França. Marcara um gol de pênalti logo no início da partida. A Itália resistia bravamente aos ataques franceses, ainda mais freqüentes na prorrogação. Porém, é nesses momentos que percebemos quanto a non-fiction é bizarra. O último ato da vitoriosa carreira do último mago da bola foi uma cabeçada no beque adversário, que resultou em cartão vermelho. Zidane encerrou a carreira deixando o campo cabisbaixo e expulso.
Agora, com a Copa acabada, vou fazer as análises frias e non-fictionais que a razão sempre faz sobrepor à emoção (alguém acreditou nisso?).
Foi uma Copa do Mundo em que as defesas superaram os ataques. Poucos gols, pouco brilho, muitos desarmes.
A Itália, que sempre marcou mais que jogou, saiu campeã. Venceu mas não jogou bem uma partida sequer. Tudo bem, se classificou em primeiro num grupo difícil (vencendo a Rep. Tcheca). Mas sofreu pra vencer a Austrália (com um pênalti “inventado” no finalzinho). Passou pela Ucrânia de um homem só e venceu os anfitriões (o melhor time do Mundial) alemães nos últimos instantes da prorrogação depois do goleiro Buffon fechar o gol durante a partida toda. Contra a França, na decisão, estava sendo dominada até Zidane perder a cabeça e sua equipe perder o condutor. Totti foi uma grande decepção. Buffon, Zambrotta e principalmente Cannavaro os destaques.
A França começou mal e passou em segundo atrás da Suíça (que foi eliminada sem sofrer gols). Depois surpreendeu principalmente por conta de Zizou que começou a jogar.Venceu bem a Espanha. Venceu bem o Brasil. Venceu Portugal. Tudo sem precisar de prorrogação. Dominava a final até a fatídica expulsão. Elegi o técnico Raymond Domenech o pior do mundo. Primeiro ele vem com aquela viadagem de signos e deixa de fora jogadores como Pires e Coupet. Depois ele barra Trezeguet (que infelizmente perdeu seu pênalti na decisão) e põe os fracos Ribery, Malouda e Wiltord pra jogar (ou melhor, correr). Henry e Zidane tiveram poucos momentos de brilho. Foi o suficiente pro vice-campeonato.
A Alemanha foi a melhor equipe da Copa. Venceu bem todas as suas partidas. Uma pena não ter resistido ao cansaço contra a Itália. Lahm, Frings, Schweinsteiger, Klose e Podolski brilharam.
Felipão é o ser mais sortudo do mundo. Foi passando as fases na base da sorte (o que foi aquele jogo contra a Holanda?) e acabou na semifinal. Figo jogou bola. Miguel e Ricardo Carvalho também foram bem. Faltou alguém que soubesse fazer gols.
Brasil, Inglaterra, Argentina e República Tcheca eram os meus favoritos (nesta ordem) mas ficaram pelo caminho. Decepcionaram. Ronaldinho, Lampard e Riquelme não jogaram nem pra enganar. Kaká, Nedved, Rosicki e Gerrard enganaram um pouco.
Minha seleção da Copa foi a seguinte: Buffon, Miguel, Cannavaro, Lúcio e Lahm; Frings, Zé Roberto, Maxi Rodríguez e Zidane (por falta de opções. Os meias e atacantes nem jogaram nesta Copa); Klose e Podolski. Técnico: Felipão (tirou leite de pedra).
Escrito por cesar às 20h32
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sete de julho
O crepúsculo dum deus com número nas costas
Aquilo que só de pensar dava náuseas aconteceu já há quase uma semana e as pessoas ainda não se recuperaram do choque. Fazia muito tempo que o Brasil não tinha uma seleção tão forte e badalada, que fosse digna de carregar consigo os sonhos não só dos 180 milhões de brasileiros que lhe rastreavam o ônibus, mas de todos os que gostam do bom futebol. Bastou só uma noite inspirada de um craque de verdade pra acabar com tudo.
As pessoas ainda procuram os culpados. Ora é o técnico incompetente, ora o craque que jogou mal, nunca o talento superior do cara que mais vale a pena ver jogar desde que Maradona parou de correr. Zidane é o culpado da eliminação precoce da melhor geração do futebol brasileiro desde 82. Zidane é o cara que eu quero ver levantar a taça depois de amanhã em Berlim. Será a última vez que o veremos correr atrás da bola. E gostaria que em sua última exibição Zidane desse o espetáculo que nos mal-acostumou. Um show não só de dribles e acrobacias (Zidane é muito mais que as focas que assolam o futebol), mas de belas matadas, passes descompassados e incrivelmente precisos e de discrição. Acho que Zidane é o único craque discreto que o futebol já teve. Talvez Ademir da Guia também. Mas Zizou está anos-luz à frente do maestro da Academia.
Enquanto a Seleção caía precocemente fora da Copa (coisa inédita para as gerações posteriores à minha), Lulalá se lança oficialmente como candidato à reeleição. Sim, já que a Copa “acabou” é hora de eleição. Heloísa Helena (candidata nanica do PSOL) resolve atacar, sei lá pra quê, o presidente. Será que ela sonha com um segundo turno ela versus Alckmin? Seria mais lógico ela tentar ganhar o eleitorado dos outros nanicos e os indecisos pra tentar no confronto de primeiro turno vencer o tucano e então, no segundo, tretar direto com o Lula. Por mais merda que faça, as pessoas ainda amam o presidente do povo.
Mas eu não gosto e nem ligo pra política. No máximo me divirto com as merdas que rolam em campanha. Todo mundo quer fuder todo mundo o tempo todo. Não respeitam nem as velhinhas que estão esperando a novela começar. Certa vez vi no horário político os candidatos regionais da Bahia e eles são muito mais engraçados que os daqui... Lá não dá pra perceber a diferença dos tucanos e dos comunistas (se é que há). Mas o sistema de vida deles (emendar um carnaval no outro) deve funcionar melhor que o do resto do país. Quem quer saber de política ou de escândalos se o carnaval tá rolando na rua?
Foda-se a política! Vou sentir falta do Zidane... Tomara que ele possa aposentar com mais um título e poder contar pros netos que ele ganhou duas Copas enquanto o Maradona ganhou uma só. E o Platini (que tem ignorante que diz que foi o maior da história do futebol francês) mal chegou perto. Acho que o Zidane é tão de boa que ele nem vai se comparar com os outros quando contar histórias pros netos.
Sobre o título, roubei a idéia do meu amigo Pimpão (ele usou lindamente a expressão “Nossos heróis passavam a ter números nas costas” falando sobre Copa do Mundo) e misturei com Nietzche. Eu tenho sério problema com títulos. Espero que ele não fique muito puto por isso.
Escrito por cesar às 20h28
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Este texto foi originalmente publicado como editorial da primeira (e única) edição da revista experimental Berimbau:
Nomear um periódico é sempre missão complicada. O nome é o que aparece primeiro, e dele criam-se as expectativas em torno do conteúdo do todo. Berimbau. Sonoro, remetendo à cultura brasileira (já que o mote é cultura) e tirado de um dos grandes ícones dela: Manuel Bandeira.
Nascido no Recife em 1886, Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho foi sempre um grande divulgador e "remendador" da nossa cultura. Um dos maiores escritores do século XX, Bandeira não mergulhou tão profundo na cultura brasileira (e folclore) quanto Mário de Andrade, nem assimilou e abrasileirou tão bem as vanguardas européias quanto Oswald de Andrade, mas, de forma única ele sintetizou na simplicidade textual as influências de uma e de outra.
Entre lembranças da infância (a velha Recife) e desencontros com a doença (sua tuberculose), Manuel Bandeira do Brasil (parafraseado Drummond) produziu sua poesia, que absorvia aspectos culturais do povo brasileiro e exalava brasilidade. Se considerava um "poeta menor", poeta maior era Drummond, mas é fato que a obra de um difere da de outro pela construção e nem tanto pelo conteúdo, sendo ambos ícones da Literatura.
Apesar da melancolia de parte da sua obra, Manuel Bandeira era uma pessoa alegre que, embora buscasse "Pasárgada", não abandonava a vida ainda que desde jovem soubesse que sua doença era incurável e só lhe restava "dançar um tango argentino". Em 1968, aos 82 anos, Bandeira faleceu deixando vasta obra e vaga uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.
No primeiro número, a liberdade de pauta foi a tônica desta produção alternativa, que visa divulgar e promover a cultura em toda a sua plenitude, desde aspectos tradicionais a formas de expressão, mesmo as marginalizadas. Sem preconceitos, Berimbau visceraliza a cultura.
Agradecimentos a Lauro Moreira, compadre do poeta.
Escrito por cesar às 03h28
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Anjos de mármore
i
Na suave neblina duma noite novembril,
Empunhando uma adaga, uma maçã e um cigarro,
Sob o olhar provocativo dos anjos de mármore,
O triste homem se alimentou
E selou sua existência...
ii
Manchados em cinzas e sangue
Estão os anjos gelados.
Quanto ao ocorrido,
Todas as testemunhas permanecem caladas
Escrito por cesar às 04h10
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Noctívagos
1
Fecham as portas
Num silêncio quase mórbido
Mas todos sabem
O que todos pensam
E num estalar sincronizado
O zoar de pesar
Volta a ecoar no recinto
2
Ainda que pálida, estava bela.
Circundada pelas flores
E em vestido de noite,
Todos os presentes voltavam-se para ela,
Até que alguém resolve se aproximar
E devolvê-la ao nariz os algodões
3
A alta noite estalava
E a chuva caía
E molhava o corpo
Vestido em branco
Como deveria estar a lua (?)
4
Brilhou no céu lua nova,
Alimentando pensamentos
Obscuros e obscenos
Das novas afrodites
O pandemônio erótico,
Com gemidos de gozo não guardava silêncio E fazia-se nítido à escuridão
Escrito por cesar às 04h09
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Necrofagia
As mãos ainda pouco habilidosas
Não tinham eficiência de pás
Mas tudo era tão recente
Que certamente chegaria
Antes dos vermes
À quase penumbra
Comia com as mãos
Carne fria
Escrito por cesar às 04h08
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relógio de sol
i
no céu escuro
nuvens densas antecipam
a tempestade prometida
ao espelho,
enlouquecido pelos tique-e-taques do relógio de sol,
narciso arruma o cabelo
antes que venha a ventania
ii
quase sem querer,
o sol se pôs, e, não fossem os tique-e-taques,
nem seria notado
nevou no deserto
e o homem de gelo nem derreteu,
apesar dos pensamentos quentes
vindos do opiário central
iii
o relógio de sol marcava meia noite,
quando veio a ventania
levantar a areia e movimentar a noite
quente e abafada
do deserto congelado
Escrito por cesar às 04h07
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Estes são alguns poemas já antigos que eu tinha no pc. Datam de 2002:
bolcheviques católicos
dominou-me um leninista
louco e embevecido
de sua plena sobriedade.
rezou o capital
e discursou o padre-nosso
com a avidez dos bolcheviques católicos
espólio
na mesa empoeirada
da sala da cadeira de balanço,
os óculos, o cachimbo,
a montblanc
e o calhamaço de poemas por terminar:
isso era tudo o que me cabia
sobre a sombra do velho
detrás os muros
escritos em sangue
um choro de infância
revisitada
ecoa ao buzinar silencioso
da metrópole nova
reconstruída
sobre a sombra do velho
Escrito por cesar às 04h05
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seis de julho de dois mil e seis
Pois é, não resisti de novo. Conforme o tempo vai passando vou me entregando à tecnologia (mais por comodismo que por adaptação). Depois de muito resistir aderi ao e-mail, ao mp3, ao orkut e agora resolvi fazer um blog. Sei lá, já que ninguém me publica (não que eu tente ser publicado, mas é regra reclamar do mercado editorial) um blog pode ser útil pra eu ter a chance de ser lido. Não que alguém vá levar à sério algo chamado coelhinhos chapados, mas vai que de repente algum louco resolve achar que eu sou o novo grande gênio da literatura e me publica em livro pra vender milhões (não tenho nada contra a Bruna Surfistinha, mas não podia perder a piada, ainda que seja péssima)...
Então aqui estou, caçando meus textos perdidos pra pôr nesta porra. Conforme eu for achando (costumo escrever tudo em papel solto e jogar em qualquer lugar. Meu sonho era ser organizado) vou colocando aqui. Aquilo que eu for escrevendo de novo também vai entrando e quem sabe um dia isto aqui esteja cheio de textos ruins.
Ah, o nome esdrúxulo é porque eu queria escrever um texto chamado “A revolta dos coelhinhos voadores assassinos”, mas, por enquanto, faltou criatividade pa desenvolver o título fantástico. Aí quando fui pôr o nome do blog pensei em “coelhinhos voadores”, mas meu irmão (e consultor para assuntos digitais) me alertou pra semelhança com os “Lagartos Voadores” da novela (na verdade ele falou que parecia pagação de pau... e eu nem sabia da existência dos tais lagartos voadores). Então decidi trocar as super habilidades dos coelhinhos. Eles deixaram de ser voadores pra ser chapados (quem precisa voar?). Acho que tem mais a ver comigo.
Escrito por cesar às 03h51
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olá
Escrito por cesar às 03h36
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